A sala de espera geralmente não tem
nenhum atrativo, é cinza e gelada.
Em geral, uma televisão, algumas
revistas e um silêncio sepulcral interrompido vez ou outra por ruídos que
chegam a arrepiar a alma.
Para te deixar ainda mais acuado, a
figura amiga da secretária, na maioria das vezes é abolida do local. Ou seja,
cada um por si e Deus guardando todos.
Ninguém conversa que é para ficar de
ouvido atento ao que acontece com quem está sendo atendido, numa tentativa
insana de saber o quão terrível está sendo a passagem dela por aquela cadeira.
Nesse momento você já não sente mais
dor, mas o medo te assola e um frio corre pela sua espinha, subindo e descendo
na velocidade da luz.
Chega sua hora!
O doutor te cumprimenta e pergunta
sobre sua vida – tudo soa sarcástico demais.
Você conta a ele o porque está ali,
mostra “a panela” que se mudou para a sua boca
e a partir daí começa seu o inferno na cadeira do dentista.
Na sua cabeça soa um mantra
maldizendo a bala, doce, carne ou seja lá o que foi que fez o estrago no seu
dente, que nesse momento está fechado com um pedaço de algodão porque o seu
dentista estava sem tempo para torturar você na semana passada.
O cara te bota um babador no pescoço
e te posiciona de cabeça para baixo na cadeira, para começar o ritual. Se pegar
fogo no prédio, você morre queimada, porque até conseguir se levantar dali você
já virou cinzas.
Sou a favor da obrigatoriedade daquelas vendas
pretas que as madames usam para dormir, para o nosso cérebro não processar o
tamanho da agulha da anestesia. E ele diz: - Eu vou colocar Xilocaína, você vai
sentir só uma picadinha! Ah tá! A picadinha do “calça curta”, “coisa ruim”, dói
muuuuuuuuiiitooooo, não sei se porque nesse momento já estamos sentados no
braço da cadeira ou se só porque ele pegou a raiz do dente mesmo. Sua cara adormece,
mas seu cérebro e ouvidos não.
Uma de suas mãos terá de ficar
ocupada (dormente) com o aspirador e vez ou outra você terá de cuspir na pia
(nojenta), se levantando daquela posição ingrata, usando só uma das mãos e
voltando com metade da baba na sua boca e metade na pia. Senhoooor!!!
É broca, é motor, é massa, uma
verdadeira construção civil dentro de você, com uma ópera no fundo, que
provavelmente tá tirando a maior onda da sua cara só que em ritmo diferente do
funk.
O serviço acaba, ele, o dentista,
todo orgulhoso do serviço quer te mostrar como ficou tudo e você só quer sumir
dali e parar de morder sua língua.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirjose vitor lemes27 de abril de 2013 04:46
ResponderExcluirDepois dizem que o mundo é perfeito! Se fosse, não nasceria buraco no dente.
Alias, o dente deveria ter a composição do ouro e a escovação bem que poderia vir de fábrica
Assim: Terminada a refeição, ocorresse o tempinho da degustação, em seguida houvesse a automatização
de uma escovação interna sem que fosse preciso escancarar a boca diante dos espelhos, o melhor ainda,
que possuísse um sensor contra mal hálito.
Pensando melhor, dente, iguais aos que temos, deveria nascer somente na boca de políticos.