quarta-feira, 24 de abril de 2013

Ser Pequeno


Gente pequena – o mundo não fora feito para nós - os saltos sim.
Uma pessoa pequena nunca está à vontade.

Se eu fosse arquiteta planejaria interiores de casas com aquelas escadas de farmácia percorrendo em trilho todos os cômodos.
O olho mágico da porta da casa de quem é pequeno mostra da cintura para baixo da sua visita, ou seja, se quiser segurança, precisa perguntar para o convidado com que roupa ele pretende vir te visitar – um vexame.

Para otimizar os espaços na sua casa, o marceneiro começa os móveis grudados no teto e, de acordo com o espaço que se tem, ainda o fazem profundo, que é para você ter fratura nos ossos do peito sempre que chegar o inverno e você precisar das suas malhas.
Os móveis da cozinha são os piores da casa. Tudo o que você tem na cozinha geralmente você usa, não demora um ano para precisar, nesse cômodo a escada de farmácia faria a total diferença no dia a dia.

Quem é pequeno precisa de espelhos compridos – colocados no chão.
O chuveiro na casa de pessoas desprovidas de altura, queimam, quebram ou caem da parede pelo menos três vezes ao ano. Como é que se muda a temperatura, já estando pelado e já tendo feito xixi no ralo para economizar a água do planeta? Só usando o cabo do rodo mesmo.

Duvido que entre os pequenos (refiro-me a pessoas já na fase adulta), exista uma ou duas pessoas que consigam sentar-se apoiando as costas na cadeira e os pés no chão – ao mesmo tempo.
Para se comprar roupas é preciso consultoria do Esquadrão da Moda, para que eles te ensinem quais modelos ficarão menos estranhos quando forem cortados os trinta centímetros excedentes.

Os vexames são constantes, mas ainda não consegui descobri nada pior do que esperar alguém passar pelo corredor do supermercado onde está o produto que você realmente precisa levar, para pedir que ele faça a gentileza de alcançá-lo para você. Pior ainda, você tem que guardar a fisionomia dessa pessoa, para você não abordá-la novamente, pelo mesmo problema, no corredor de trás.
O transporte público é um desafio diário, mas também uma espécie de teste de simpatia da pessoa pequena. Só ela sendo muito simpática sairá sem levar uns safanões quando invariavelmente segurar na cintura dos outros para não cair.

No mundo atual, não adianta mais ser adulto, se você não tiver uma quantidade x de centímetros, não pode nem se divertir nos parques. Isso sim é preconceito.
Ao que parece, as pessoas normais querem eliminar os menores da face da Terra. Para isso, inventam carrinhos para tudo. Já experimentou refogar uma carne em um fogão com aquele suporte de rodinha embaixo? No mínimo você queima a ponta do nariz na beirada da panela para enxergar o que está fazendo.

 Acabei de lembrar de algo pior do que o supermercado: você fazer cadastro para entrar em um prédio comercial e o recepcionista ter que tirar a câmera do lugar e colocar para baixo do móvel, para captar sua imagem.

Um comentário:

  1. Nossa, que hilário, é de chorar e rir! Casa de baixinho tem que ser igual a casa de boneca. Até a escova de dente tem que ser menor.

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