quinta-feira, 11 de abril de 2013

Comer em Paz


Antes de começar a ler esse texto, responda:

- Para você, a hora da refeição é um momento de prazer e de tranquilidade?

 

Se você respondeu que sim, duvido que vá a alguma churrascaria.
A churrascaria é um campo de guerra.

Quando você entra em uma, sua luta é sair vivo, conseguindo andar e principalmente não agredir ninguém. Ou seja, impossível.

Você chega no lugar e já enfrenta fila para conseguir uma mesa decente, que fique posicionada estrategicamente para que sua roupa não saia com pingos de gordura, dos dois lados, e para que você não tome um banho de chopp quando for levar o copo à boca e o garçom esbarrar no seu braço.
Qualquer dia vai acontecer como nas praças de alimentação dos shoppings, as pessoas chegam, escolhem a mesa que querem sentar e permanecem em pé ao seu lado até que você termine.

Não existe lei em uma churrascaria, então, você pensa em um programa família, pega seus filhos às onze e meia da manhã (que é para garantir que até a uma da tarde eles já tenham almoçado), se dirige até lá, consegue não atropelar o manobrista que coloca o prisma no seu carro sem nem saber se é no estabelecimento dele que você vai, consegue a mesa decente e qual é a primeira coisa que passa pelo salão e estaciona ao lado da sua mesa? O carrinho de doces. Por que diabos essa porcaria tem rodas?

Você então se esforça em fazer seu filho esquecer aquela visão escandalosa que ele teve e quando se volta para o seu prato tem lá dois gomos de lingüiça, cinco corações e uma asa, mas, as bebidas que você realmente pediu.......
Em dado momento os garçons começam a circular em ritmo frenético, que é para te deixar nervoso e você dar lugar ao próximo da imensa fila de espera. É maminha, é costela, é cupim, é picanha e vai você falar “pro cabra” que não quer, ele sai batendo o pé. Isso quando ele espera você dizer alguma coisa, porque geralmente ele já pressupõe que se você está ali é para encher o bucho mesmo.

O rodízio corre solto pelo salão, você ainda está mastigando o último pedaço da última rodada que o último garçom despejou no seu prato, que agora está virado de boca para baixo na mesa porque o garçom é daltônico e não diferencia o verde do vermelho, quando vem um outro comparsa daquele da carne com o licor. Licor = despedida, fim de festa, bye bye, see you, well well.
Agora sim é o momento para aquele carrinho de doces.....

...mas, a leva toda de pessoas que entrou com você e que tem que sair com você, também quer.

Fim

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