quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Somos Artistas


Nós somos todos artistas.

Todos nós temos na veia o dom para realizar coisas que nós mesmos não imaginávamos sermos capazes, coisas que só descobrimos na hora da necessidade.

Você está duvidando que é um(a) artista?

Vou te provar que é.

Você certamente já precisou ir ao banheiro em um lugar público, não precisou?

Sim, você disse sim.

Se você está lendo esse post, vivo e com saúde, sim, você é um(a) artista.

Você é capaz de entrar, esperar sua vez, fazer suas necessidades, lavar as mãos e sair de lá, sem respirar. Já contou quantos minutos isso tudo leva?

Os homens ficam mais expostos, eu imagino como deve ser constrangedor você entrar em um lugar, doido para acabar com a agonia da “água no joelho” e quando está lá, sossegado, tem uma criatura ao lado dando uma conferida “no que você está fazendo”.

É uma necessidade vital essa - não a do xixi, a da conferida - eles precisam saber se estão na média, dentro das estatísticas ou se estão totalmente fora.

O homem tem o privilégio de não precisar se preocupar em encostar em nada, a não ser que seja um anão, já as mulheres...

Nós penamos até com uma simples ida ao banheiro.

A não ser que um homem vá ao banheiro para o número dois (eu não duvido que eles consigam essa proeza em banheiros públicos), as portas são totalmente dispensáveis. Não me espantaria que eles conseguissem o número dois sem as portas também.

Para nós não, as portas são indispensáveis, só que em oitenta por cento dos banheiros elas estão com as travas quebradas.

E aí começa o sofrimento, a saga, a verdadeira guerra para se fazer um simples xixi.

A mulher quando sente a vontade de ir ao banheiro, a voz da sua mãe ecoa em alto e bom som na sua cabeça (isso é involuntário, acontece sem que a gente queira): - Não encosta em nada! – Não coloque as mãos! – Apoie os cotovelos nos joelhos! – Não senta! – Não fica muito reta! – Cuidado para não fazer fora, senão molha suas pernas! E ao som dessa voz, ela entra no reservado com a tranca quebrada.

Uma mulher está sempre com pelo menos uma bolsa e nos banheiros públicos não tem onde pendurá-la (s).

Então, é preciso pensar:

Primeiro passo – prender a respiração, como os homens.

Segundo passo – separar o papel higiênico ou o lenço de papel, caso o primeiro esteja em falta e segurá-lo com a boca.

Terceiro passo – pendurar a bolsa.......no pescoço.

Quarto passo – abaixar ou subir a roupa e dar aquela abaixadinha, lembrando sempre de encostar a cabeça na porta, para essa servir como tranca.

Quinto passo – tentar acertar o buraco à distância suficiente que o xixi caia dentro do vaso, a cabeça tranque a porta e a bolsa não te mate enforcada com o peso.

Depois disso, é só se recompor, lavar as mãos e sair com elas pingando, já com vontade de ir ao banheiro de novo.
Dá para entender agora por que vamos sempre em bando ao banheiro???

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Os Chatos


Gente chata não precisa de convite, gente chata brota do chão ao seu lado, sem que você perceba. Alguma coisa parecida com o que acontece com o chuchu, você não precisa plantar chuchu, chuchu nasce.

Eles são uma comunidade, uma gangue, uma máfia.

Um chato, encosta no batente da porta no meio da sua conversa com outra pessoa no corredor e ao final ele dá a opinião dele, além de contar que já teve experiência parecida e todo o seu conhecimento em como se safar daquela situação.

Eles têm um perfume e um cumprimento padrão – sempre te abraçam – que é para você ficar com o perfume ruim dele o dia inteiro nas narinas.

Nunca pergunte a um chato se está tudo bem....ele te contará detalhes caso esteja tudo ruim e te dará náuseas caso esteja tudo bem.

Ser simpático com gente chata é complicado, porque o chato sempre confunde as coisas e se você for muito legal, ele se despedirá de você com um tapinha no traseiro.

O chato entra no elevador que está subindo, aperta o térreo e ele, o elevador, obedece, só para não ter que ouvir o chato bufando durante toda a subida e xingando na descida. E você, que só queria ir até o décimo terceiro, tem que acompanhar o fulano até o quinto subsolo porque é lá que ele acha mais seguro deixar o carro.

Se você for um cara azarado e estiver esperando uma vaga no shopping, certamente o primeiro carro a sair vai ser do chato. Ele vai destravar o carro, abrir o porta malas para colocar a única sacolinha da Chocolates Brasil que ele comprou, dará a volta no carro para ver se não tem nenhum arranhão, entrará no carro, ligará o som, procurará a rádio que esteja tocando sua música preferida, colocará o cinto, ligará o carro e perceberá que o ticket do estacionamento está na carteira. Então ele tira o cinto, sai do carro novamente, sim, porque o chato não tira a carteira do bolso traseiro sem sair do carro que é para não quebrar os cartões, entra no carro novamente, coloca o cinto, engata a ré e antes de sair definitivamente da vaga, acende um cigarro.

O chato já acorda chato, não é uma coisa que vai acontecendo no decorrer do dia, como o mau humor. Você consegue detectar um chato já no café da manhã, ele vira o pão do avesso até que limpe por completo a faca da manteiga.

Ele sempre sabe tudo sobre todos os assuntos, seja ele qual for, ele sabe.

Eles nunca esquecem o nome de ninguém, já perceberam isso?? Além de não esquecerem, eles gritam de longe: - Fulaaaaaanooooo, cara quanto tempo!!!

Na sala de aula ele é aquele que não quer entender a matéria, ele quer psicografar o que o professor fala.

Ele puxa assunto com você no metrô logo as seis da manhã, usa Nextel em volume alto, separa milho e cebola da pizza.

Se você não conseguir atender à ligação do chato, não se preocupe, ele retornará mais um milhão de vezes.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Indispensáveis

Quem nunca precisou de uma secretária do lar??

Quem conseguiu encontrar com menos de 3 meses de procura?

E depois desses 3 meses de busca incessante, quem aqui ficou satisfeito com seu achado?

Elas desempenham um papel tão importante na vida da humanidade, que eu imagino que elas vivam em uma comunidade, uma vila só delas e que de tempos em tempos a lider libera uma ou duas para fazer alguém feliz. Alguma coisa parecida com o que faz Deus com os anjos ou o Papai Noel com os duendes.

Elas lavam, passam, tiram o pó, comem o último pedaço da sobremesa que você tinha guardado para quando voltasse do serviço, mas, você nem liga, porque o serviço sujo está feito e suas unhas estão intactas.

Você implica mais com seu marido e seus filhos do que com ela. Ela não pode se aborrecer, isso poderia ser fatal.

Se pudesse, você a manteria sem contato com o mundo externo, para não correr o risco de alguma amiga saber de uma vaga com alguém que paga mais, tem casa menor, fica fora o dia todo, não tem criança nem cachorro e viaja 3 meses por ano.

Elas nos proporcionam grandes emoções: pela manhã você roda feito frango com medo de que ela não apareça e no fim do dia se prepara para a reclamação dos vizinhos porque ela reuniu todas as amigas para reunião da Tuppeware ou uma dessas marcas de maquiagem ou lingerie erótica.

Você sabe que ela usa seus esmaltes, sua havaiana para ir na venda e seu perfume para ir embora na sexta-feira, mas isso realmente não te aflige, ou simplesmente passa quando ao abrir seu guarda roupas você se depara com todas as camisas passadas.

Se ela se engraçasse pelo seu marido, você faria vistas grossas, porque é bem mais fácil encontrar outro companheiro do que outra secretária do lar.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Vizinho


Alguém aqui já percebeu que o vizinho NUNCA tem as mesmas intenções que as nossas?
Tudo o que você pretende fazer, ele quer fazer o oposto, no mesmo dia e horário.

Você está sempre tão cheio de coisas para fazer aos sábados, que nunca percebe a presença dele. Até o sábado que você resolve dormir mais cedo. Nesse dia, ele combina com os amigos da faculdade, colégio e pré-primário um “revival” e coloca todas as músicas, de todas as épocas em alto e bom som até às quatro da manhã.

Quando você finalmente tem tempo para lavar as malhas e os cobertores, ele faz churrasco.

Quando você consegue dar aquele lustro na casa, passando até cera no chão, ele resolve aparar a árvore e fazer fogueira.

Você passa semanas sem vê-lo, até o dia que você coloca resto de comida para cachorro dele.

Você viaja, os bandidos encostam o caminhão na sua porta, levam até os azulejos da sua casa e ele não vê nada. Agora, vai entrar com um cara diferente em casa......

Quer saber se o seu vizinho morreu ou se está só hibernando, espere por uma batida de carros na esquina – ele é o primeiro a chegar e quando você se aproxima ele já sabe até os antecedentes criminais dos envolvidos.

O bom disso tudo, é que nós também somos vizinhos e nossos filhos têm férias três meses por ano, nossos amigos do colégio ainda estão vivos e a nossa mira com a bola de futebol está cada dia pior.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Dieta Pra quê?

Segunda-feira comecei meu regime.

No final de semana fui ao mercado e comprei iogurte desnatado light, barra de cereais light, filé de frango (5 quilos mais ou menos), verdura e legumes dos mais conhecidos até aqueles que eu não fazia ideia se comia com casca ou sem, cru ou cozido.
Acordei disposta, queria inclusive que houvesse uma versão light do meu sabonete.

Coloquei a mesa do café da manhã com uma fatia de pão integral, uma de queijo branco, 3 ou 4 quadradinhos de mamão e café preto com adoçante (argh!).
Antes que eu pudesse dar a primeira mordida, minha campainha tocou. Era minha vizinha com metade do bolo de milho, ainda quente, que havia feito pensando em como ele é um dos meus preferidos.

Emocionalmente abalada fechei a porta e escorreguei para o chão com as lágrimas correndo pelo rosto num misto de dó de mim e dó do bolo, que devorei uns 3 pedaços em segundos.
Fui a pé para o serviço, eu merecia uma punição por ter caído na primeira tentação do primeiro dia.

Comi uma maçã no meio da manhã e as unhas da mão direita até o meio dia.
Levei marmita: frango grelhado e legumes no vapor. É coisa minha ou o vapor tem um gosto diferente quando está no contexto do regime?

No lanche da tarde tomei o iogurte desnatado light (que poderia muito bem saciar a fome, com esse nome todo cheio de pompa) e as unhas da mão esquerda até chegar 18 horas.
Eu precisava voltar para casa e lá eu encontraria com o bolo novamente. Mentalizei que ele já não deveria estar tão saboroso quanto no café da manhã.

Comi mais um filé de frango grelhado e acabei por descobrir porque frango voa.
A vizinha do 6º andar interfonou aflita, ela precisava conversar.

Como eu não tinha mais nada para comer, digo para fazer, achei que pudesse ser uma boa pelo menos as horas passariam mais rápido.

Ela chegou com uma garrafa de vinho e uma cheesecake de amoras inteira.
Recomeço o regime na próxima segunda, assim que eu me mudar pra um lugar onde ninguém me conheça.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

A Panela e o Pavor


A sala de espera geralmente não tem nenhum atrativo, é cinza e gelada.
Em geral, uma televisão, algumas revistas e um silêncio sepulcral interrompido vez ou outra por ruídos que chegam a arrepiar a alma.

Para te deixar ainda mais acuado, a figura amiga da secretária, na maioria das vezes é abolida do local. Ou seja, cada um por si e Deus guardando todos.
Ninguém conversa que é para ficar de ouvido atento ao que acontece com quem está sendo atendido, numa tentativa insana de saber o quão terrível está sendo a passagem dela por aquela cadeira.

Nesse momento você já não sente mais dor, mas o medo te assola e um frio corre pela sua espinha, subindo e descendo na velocidade da luz.
Chega sua hora!

O doutor te cumprimenta e pergunta sobre sua vida – tudo soa sarcástico demais.
Você conta a ele o porque está ali, mostra “a panela” que se mudou para a sua boca  e a partir daí começa seu o inferno na cadeira do dentista.

Na sua cabeça soa um mantra maldizendo a bala, doce, carne ou seja lá o que foi que fez o estrago no seu dente, que nesse momento está fechado com um pedaço de algodão porque o seu dentista estava sem tempo para torturar você na semana passada.
O cara te bota um babador no pescoço e te posiciona de cabeça para baixo na cadeira, para começar o ritual. Se pegar fogo no prédio, você morre queimada, porque até conseguir se levantar dali você já virou cinzas.

Sou a favor da obrigatoriedade daquelas vendas pretas que as madames usam para dormir, para o nosso cérebro não processar o tamanho da agulha da anestesia. E ele diz: - Eu vou colocar Xilocaína, você vai sentir só uma picadinha! Ah tá! A picadinha do “calça curta”, “coisa ruim”, dói muuuuuuuuiiitooooo, não sei se porque nesse momento já estamos sentados no braço da cadeira ou se só porque ele pegou a raiz do dente mesmo. Sua cara adormece, mas seu cérebro e ouvidos não.
Uma de suas mãos terá de ficar ocupada (dormente) com o aspirador e vez ou outra você terá de cuspir na pia (nojenta), se levantando daquela posição ingrata, usando só uma das mãos e voltando com metade da baba na sua boca e metade na pia. Senhoooor!!!

É broca, é motor, é massa, uma verdadeira construção civil dentro de você, com uma ópera no fundo, que provavelmente tá tirando a maior onda da sua cara só que em ritmo diferente do funk.
O serviço acaba, ele, o dentista, todo orgulhoso do serviço quer te mostrar como ficou tudo e você só quer sumir dali e parar de morder sua língua.

Mulher Perfeita


A mulher perfeita na visão de um homem.
Estamos já no século vinte e um e não há terninho ou belas pernas torneadas cruzando no inicio de uma reunião de negócios, que faça o homem gostar mais da mulher fora do que dentro de casa.

Obviamente eles não dizem isso.

Suas frases clichês são: - Estou torcendo pelo seu sucesso! – Sim, acho que você deve voltar a estudar! – Claro querida, eu sei que o evento é só para funcionários!
Tudo isso em frases fechadas, sem desenvolver o assunto.

Tenho a impressão de que eles vivem esperando o dia em que, de dentro de cada uma de nós, sairá uma daquelas moças que passavam as tardes ao lado de sua mãe aprendendo receitas das mais variadas guloseimas e costurando a barra das calças.
Um mundo perfeito em que o final do dia seria: abrir a porta de casa, encontrar o tapetinho que diz: Seja Bem-Vindo e, pendurada na porta a frase: Lar Doce Lar.

 O cheiro da casa seria de bolo no forno.
As crianças já tomadas banho, com o dever de casa feito e com apenas um brinquedo nas mãos.

A esposa cheirosa, com o refogado de carne pronto para ser servido e, claro, uma bebida preparada para recebê-lo.
Na mesa da sala de jantar um caminho de crochê, feito por sua esposa, daria a ele a sensação de que a casa havia sido limpa como que num passe de mágica.

Na cozinha, capas por todos os lados: botijão de gás, liquidificador e batedeira.
Antes do jantar, ele tomaria seu precioso banho e se enxugaria com a toalha que tem seu nome bordado em ponto cruz.

Seu pijama dobrado em cima da cama e a roupa do dia seguinte separada fechariam o dia perfeito.

 
Para eles, né?

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Ser Pequeno


Gente pequena – o mundo não fora feito para nós - os saltos sim.
Uma pessoa pequena nunca está à vontade.

Se eu fosse arquiteta planejaria interiores de casas com aquelas escadas de farmácia percorrendo em trilho todos os cômodos.
O olho mágico da porta da casa de quem é pequeno mostra da cintura para baixo da sua visita, ou seja, se quiser segurança, precisa perguntar para o convidado com que roupa ele pretende vir te visitar – um vexame.

Para otimizar os espaços na sua casa, o marceneiro começa os móveis grudados no teto e, de acordo com o espaço que se tem, ainda o fazem profundo, que é para você ter fratura nos ossos do peito sempre que chegar o inverno e você precisar das suas malhas.
Os móveis da cozinha são os piores da casa. Tudo o que você tem na cozinha geralmente você usa, não demora um ano para precisar, nesse cômodo a escada de farmácia faria a total diferença no dia a dia.

Quem é pequeno precisa de espelhos compridos – colocados no chão.
O chuveiro na casa de pessoas desprovidas de altura, queimam, quebram ou caem da parede pelo menos três vezes ao ano. Como é que se muda a temperatura, já estando pelado e já tendo feito xixi no ralo para economizar a água do planeta? Só usando o cabo do rodo mesmo.

Duvido que entre os pequenos (refiro-me a pessoas já na fase adulta), exista uma ou duas pessoas que consigam sentar-se apoiando as costas na cadeira e os pés no chão – ao mesmo tempo.
Para se comprar roupas é preciso consultoria do Esquadrão da Moda, para que eles te ensinem quais modelos ficarão menos estranhos quando forem cortados os trinta centímetros excedentes.

Os vexames são constantes, mas ainda não consegui descobri nada pior do que esperar alguém passar pelo corredor do supermercado onde está o produto que você realmente precisa levar, para pedir que ele faça a gentileza de alcançá-lo para você. Pior ainda, você tem que guardar a fisionomia dessa pessoa, para você não abordá-la novamente, pelo mesmo problema, no corredor de trás.
O transporte público é um desafio diário, mas também uma espécie de teste de simpatia da pessoa pequena. Só ela sendo muito simpática sairá sem levar uns safanões quando invariavelmente segurar na cintura dos outros para não cair.

No mundo atual, não adianta mais ser adulto, se você não tiver uma quantidade x de centímetros, não pode nem se divertir nos parques. Isso sim é preconceito.
Ao que parece, as pessoas normais querem eliminar os menores da face da Terra. Para isso, inventam carrinhos para tudo. Já experimentou refogar uma carne em um fogão com aquele suporte de rodinha embaixo? No mínimo você queima a ponta do nariz na beirada da panela para enxergar o que está fazendo.

 Acabei de lembrar de algo pior do que o supermercado: você fazer cadastro para entrar em um prédio comercial e o recepcionista ter que tirar a câmera do lugar e colocar para baixo do móvel, para captar sua imagem.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Zoológico


Existe passeio mais irritante do que ir ao Zoológico?
Tenho certeza de que você não conseguiu pensar em nada pior.

Preparo-me meses para o fatídico dia e quando ele chega, eu preferia ter sofrido um infarto fulminante na noite anterior.

As crianças querem levar lanches, sucos, amendoins e eu quero morrer.
Quando é chegado o dia, as duas únicas certezas que você pode ter são: ou vai garoar o dia todo ou vai fazer um sol escaldante, que é para ver se o seu olfato realmente funciona, naquele lugar.

Talvez você saia de casa com a ilusão de que só os seus filhos conseguem convencer os pais de fazer um programa desses. Até que você chega na rua do Zoológico e percebe que criança tem um poder de convencimento ímpar. Tem fila para estacionar os carros e muitas vezes faltam vagas. E pra que? Eu te pergunto.
Enfim, você consegue estacionar, comprar seu ingresso, tirar foto na parede desenhada de bichos, postar no facebook e entrar. Você já combina com a família que qualquer coisa que aconteça, vocês se encontram perto dos macacos. Já perceberam que os macacos, patos e afins ficam em uma área centralizada e de destaque? Sim, porque eles são, provavelmente, os únicos bichos que você realmente verá. Então, você vai até o leão, a girafa, o elefante, não viu, volta para os macacos.

O mapa para se encontrar os animais deixaria furioso até Indiana Jones.
Das duzentas e dezenove vezes que fui até lá, vi o leão e o tigre umas três ou quatro vezes. Mas como estava garoando ou muito sol, eles sempre estavam dentro da caverna, só com a cabeça de fora.

Estava me segurando para dizer isso, mas quem é pequeno também não consegue ver esses bichos não. E não, não estou falando das crianças.
E o leão marinho? Quem já viu? Acho que vi uma vez só, será que entrou em extinção?

Depois de tentar ver a girafa, tentar o elefante, tentar o hipopótamo, tentar, tentar, tentar, as pessoas cansam e tentam comprar alguma coisa para comer, tentando encontrar um lugar sem cheiro, limpo e sem moscas ou abelhas.....continuam tentando......e tentando.
A família faz uma cabana humana em volta das crianças que conseguem comer, beber e voltar para o posto, para tentar ver o leão, que a essa altura já tomou o Rivotril do dia e dormirá até a hora do jantar.

A segunda parte do passeio é do lado esquerdo do zoo, zzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Comer em Paz


Antes de começar a ler esse texto, responda:

- Para você, a hora da refeição é um momento de prazer e de tranquilidade?

 

Se você respondeu que sim, duvido que vá a alguma churrascaria.
A churrascaria é um campo de guerra.

Quando você entra em uma, sua luta é sair vivo, conseguindo andar e principalmente não agredir ninguém. Ou seja, impossível.

Você chega no lugar e já enfrenta fila para conseguir uma mesa decente, que fique posicionada estrategicamente para que sua roupa não saia com pingos de gordura, dos dois lados, e para que você não tome um banho de chopp quando for levar o copo à boca e o garçom esbarrar no seu braço.
Qualquer dia vai acontecer como nas praças de alimentação dos shoppings, as pessoas chegam, escolhem a mesa que querem sentar e permanecem em pé ao seu lado até que você termine.

Não existe lei em uma churrascaria, então, você pensa em um programa família, pega seus filhos às onze e meia da manhã (que é para garantir que até a uma da tarde eles já tenham almoçado), se dirige até lá, consegue não atropelar o manobrista que coloca o prisma no seu carro sem nem saber se é no estabelecimento dele que você vai, consegue a mesa decente e qual é a primeira coisa que passa pelo salão e estaciona ao lado da sua mesa? O carrinho de doces. Por que diabos essa porcaria tem rodas?

Você então se esforça em fazer seu filho esquecer aquela visão escandalosa que ele teve e quando se volta para o seu prato tem lá dois gomos de lingüiça, cinco corações e uma asa, mas, as bebidas que você realmente pediu.......
Em dado momento os garçons começam a circular em ritmo frenético, que é para te deixar nervoso e você dar lugar ao próximo da imensa fila de espera. É maminha, é costela, é cupim, é picanha e vai você falar “pro cabra” que não quer, ele sai batendo o pé. Isso quando ele espera você dizer alguma coisa, porque geralmente ele já pressupõe que se você está ali é para encher o bucho mesmo.

O rodízio corre solto pelo salão, você ainda está mastigando o último pedaço da última rodada que o último garçom despejou no seu prato, que agora está virado de boca para baixo na mesa porque o garçom é daltônico e não diferencia o verde do vermelho, quando vem um outro comparsa daquele da carne com o licor. Licor = despedida, fim de festa, bye bye, see you, well well.
Agora sim é o momento para aquele carrinho de doces.....

...mas, a leva toda de pessoas que entrou com você e que tem que sair com você, também quer.

Fim

quarta-feira, 20 de março de 2013

A Calça Legging


A calça legging e o ser humano.

Talvez tenha faltado mais informações sobre o uso adequado da calça legging e por isso, somente por isso eu não posso dizer que os usuários são cem por cento culpados.

Visando trazer conforto para a mulher, alguns fabricantes de roupa feminina, inventaram a calça legging. Eles só esqueceram colocar na etiqueta um: Proibido Para, como vemos nas bebidas alcoólicas e embalagens de cigarro.

Mas, esse blog também serve como utilidade pública e então vamos ensinar para não cair de costas (horrorizada) no meio da rua.

As versões disponíveis em cores claras foram um erro de fabricação. O que houve foi o seguinte: sobrou tecido e o empresário decidiu fazer umas peças da calça e colocar a venda. NÃO ERA PARA COMPRAR!!

Eu sou magra, posso usar? Sim, caso você, ainda que seja magra, tenha alguma sustância para encher as calças. Caso contrário, procure esconder seus gambitos de galinha (tudo no melhor sentido, claro) e seu joelho, que no meio de suas pernas finas mais parece equipamento de proteção para andar de skate.

Eu sou gorda, posso usar? Queria muito dizer que não...... Tá, você pode usar, as cores escuras, escuras, escuras, escuras e sempre com alguma peça mais folgadinha e COMPRIDA por cima da peça. Lembrando sempre que o vermelho, apesar de entrar na categoria colorido não entra necessariamente na categoria escuro. Atente-se!

Sou homem, posso usar? Sem comentários....

Estou fora do peso, da altura e das dimensões, só tenho camisetas que vão até a barriga, uma calça legging e um blusão (que poderia amarrar na cintura)...Vista tudo isso, vá para debaixo do edredom e poupe nossos olhos.

O último grito da “moda”, como se já não tivéssemos visto tudo nessa vida, é a calça legging cor de pele. Pelo sangue do Cordeiro, quem foi que teve essa ideia? E por que Deus, por quais motivos, razões ou circunstâncias as pessoas estão usando e matando nossos olhos mais do que o Glaucoma?

Fica aqui, um humilde apelo aos fabricantes de espelhos: criem, inventem imediatamente um espelho que trave todas as portas de casa quando algum ser humano quiser sair às ruas dessa maneira. Um espelho que grite, que implore, que sofra uma convulsão, se preciso for, mas que não deixe mais essas aberrações passarem da porta pra fora.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Banalização


Vivemos dias difíceis.

Dias de solidão por causa de doenças, sim, as pessoas se afastam quando você mais precisa.

Dias de ausência porque você não tem condições de estar financeiramente junto com seus “amigos” e pra eles o mais importante é sair e não estar junto.

Mas vivemos principalmente dias de intolerância.

Ninguém tolera mais nada e nem ninguém.

Pessoas maltratam, ferem, espancam até a morte os animais.

Pais que não suportam os filhos e cometem os maiores absurdos que eu aqui nem conseguiria citar.

Adolescentes que não toleram a divergência de ideias e planejam, arquitetam e colocam em prática planos ardilosos contra a vida dos colegas.

Pessoas que se incomodam com o comportamento de gente que nem conhecem e ceifam suas vidas como se tivessem o aval de Deus para fazê-lo.

E agora a mais nova moda em que líderes religiosos se usam do poder a eles atribuído para dominar a mente (e por vezes o corpo também) de seus fiéis, prometendo o que nunca poderão cumprir.

Líderes que não contentes em administrar “seus rebanhos”, querem administrar também o país, o mundo, a casa dos outros e não duvido que até o céu.

Os dias são tão difíceis, que as pessoas precisam se apegar a alguém ou a alguma coisa para darem conta de continuar com a caminhada e nisso não há realmente nada de errado, porque como já dizia em algum lugar, o homem é quem estraga as coisas de Deus.

Mas o que mais me preocupa mesmo nisso tudo não são as religiões, as crenças, a fé. O que me preocupa é a banalização.

E é com essa intenção que esse texto foi escrito.

Com a vida corrida e a tecnologia cada dia mais eficiente e mais acessível, tudo está mais distante: as amizades, os bilhetinhos, o encontro no supermercado, as conversas depois da aula, os trabalhos infindáveis na casa dos amigos, os telefonemas no fim do dia só para saber como estão as coisas.

Nesse mundo “prafrentex” que estamos vivendo eu gostaria de pedir de volta o moço do algodão doce buzinando nas portas, as beatas voltando das missas aos domingos, os carrinhos de rolimã que só um garoto tinha mas, que dividia com todos os outros, os almoços de domingo na casa da vó com toda a família falando ao mesmo tempo e as crianças correndo e a venda perto de casa que vendia os melhores doces da região e que a gente pagava uma vez por mês.

 O preconceito e a diversidade sempre existiram, assim como as religiões. Mas, nunca foram tão banalizados como nos dias atuais.

E esse é o mundo que os nossos filhos vêm enquanto crescem.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

O metrô


O metrô é o santuário do coisa ruim.
As provações já começam na entrada, no momento de carregar o seu bilhete.

A fulana da funcionária fica em uma cabine blindada, inclusive à prova de som, você dá R$ 20,00 e pede para ela colocar R$ 15,00 para sobrar R$ 5,00 para o seu lanche na faculdade e a louca coloca os R$ 20,00 e não há nada, em absoluto, que você possa fazer para ela voltar atrás no seu erro.

A catraca que você escolheu para passar está travada com a mala de rodinhas de algum representante comercial que omitiu da empresa que o contratou que o seu veículo próprio era o metrô.

A faixa amarela, que era para ser o seu limite de segurança, as pessoas acham que é só para barrar deficientes visuais. Te empurram tanto que quando o trem está chegando, quase leva seu nariz embora.
Se você consegue entrar no vagão, é pisoteado por causa dos assentos, já vi gente correndo como se os bancos do metrô fossem o produto em promoção do Black Friday do “Magazine Luiza®”.

Obviamente você fará o percurso em pé.
Apesar de haver indicação de capacidade máxima, isso nunca é respeitado e as portas vão se abrindo a cada estação e o povo entrando e quanto mais gente entra mais o metrô demora pra sair, porque as mochilas travam as portas. As portas reabrem só para o indivíduo colocar a mochila pra dentro, mas, entram mais 15 pessoas.

Eu queria ter o poder do microfone no metrô: - O rapaz da camisa azul com a mochila gigante nas costas, poderia fazer o favor de levá-la na mão ou desembarcar imediatamente? (Imbecil).
Sou só eu que acho que o metrô deveria ter sinal, como os ônibus? Tá lotado passa direto pela estação.

E o que dizer quando o trem chega em uma estação, todos soltam as mãos e relaxam o corpo, mas, o maquinista resolve fazer a baliza perfeita e vai mais pra frente só pra ajeitar um pouquinho. Além de todas as pessoas que estão dentro caírem umas sobre as outras, as que estão do lado de fora andam como bobos atrás da porta, para garantir a entrada e impedir sua saída.
Atrás de você sempre tem um rapaz que se encaixa no seu traseiro a cada balanço do trem e para não dar uma de - EU SOU A MAIS GOSTOSA DO METRÔ – você suporta com raiva e sangue nos olhos.

Se você está no metrô no período da manhã, conta com o benefício do banho alheio, mas se você está no metrô às seis da tarde, só técnicas muito avançadas de meditação podem te fazer respirar normalmente.
A cada estação que passa você reconta quantas ainda faltam para terminar a guerra.

Quando está se aproximando sua estação, você tenta se aproximar da porta para ficar menos complicado de sair e a pessoa a sua frente diz: - Eu também vou descer!
O trem abre as portas e o que acontece? Ela não desce. Depois reclama que a vida não vai pra frente, deve estar com a fuça desenhada em tudo que é trabalho de amarração.

Aí você chega ao escritório e seu chefe dispara: - Nossa, dormiu na garrafa?

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Academia


Matriculei-me na academia...

...de ginástica, não a Brasileira de Letras.

Depois de toda a orgia gastronômica das festas de fim de ano, aquela voz que até então falava baixinho no meu subconsciente, agora berra: - Vai malhar sua gorda, vai malhar!

E eu fui.

Precisei adquirir umas roupas específicas, não queria dar a impressão de ser novata – impossível.

Eu não sei vocês, mas eu quando vou comprar uma roupa estico a peça na largura dos braços e já consigo ter ideia se vai me servir ou não.

Com as roupas de ginástica isso não funciona: todas são em formato de funil e de um tecido parente do papel contact ou das meias Kendall.

As academias certamente possuem contrato com os fabricantes dessas roupas que é pra você ver, na loja mesmo, o seu grau de dificuldade para entrar nelas e se convencer de vez que está realmente acima do peso.

O vestiário da academia é o aquecimento das aulas, a pessoa já sai de lá precisando hidratar.

Modelos perfeitas são contratadas para ficarem de frente ao espelho levantando um pesinho ou outro e matando a gente de inveja ou raiva ou ódio.

Nada na academia é normal.

A música não é normal, as coxas não são normais, os músculos do personal (Ahhhh o personal), nem a recepcionista é normal.

Tudo ali foi planejado pra você se sentir mal com o seu corpo.

Os espelhos são daqueles que dobram sua largura, os assentos dos equipamentos são um verdadeiro atentado a pessoas mais avantajadas e o que dizer então, dos jumps, tenho medo de pular em cima de um daqueles, imagina se ele estoura?

Acho que vou acabar caminhando no parque de moletom mesmo.