sexta-feira, 8 de março de 2013

Banalização


Vivemos dias difíceis.

Dias de solidão por causa de doenças, sim, as pessoas se afastam quando você mais precisa.

Dias de ausência porque você não tem condições de estar financeiramente junto com seus “amigos” e pra eles o mais importante é sair e não estar junto.

Mas vivemos principalmente dias de intolerância.

Ninguém tolera mais nada e nem ninguém.

Pessoas maltratam, ferem, espancam até a morte os animais.

Pais que não suportam os filhos e cometem os maiores absurdos que eu aqui nem conseguiria citar.

Adolescentes que não toleram a divergência de ideias e planejam, arquitetam e colocam em prática planos ardilosos contra a vida dos colegas.

Pessoas que se incomodam com o comportamento de gente que nem conhecem e ceifam suas vidas como se tivessem o aval de Deus para fazê-lo.

E agora a mais nova moda em que líderes religiosos se usam do poder a eles atribuído para dominar a mente (e por vezes o corpo também) de seus fiéis, prometendo o que nunca poderão cumprir.

Líderes que não contentes em administrar “seus rebanhos”, querem administrar também o país, o mundo, a casa dos outros e não duvido que até o céu.

Os dias são tão difíceis, que as pessoas precisam se apegar a alguém ou a alguma coisa para darem conta de continuar com a caminhada e nisso não há realmente nada de errado, porque como já dizia em algum lugar, o homem é quem estraga as coisas de Deus.

Mas o que mais me preocupa mesmo nisso tudo não são as religiões, as crenças, a fé. O que me preocupa é a banalização.

E é com essa intenção que esse texto foi escrito.

Com a vida corrida e a tecnologia cada dia mais eficiente e mais acessível, tudo está mais distante: as amizades, os bilhetinhos, o encontro no supermercado, as conversas depois da aula, os trabalhos infindáveis na casa dos amigos, os telefonemas no fim do dia só para saber como estão as coisas.

Nesse mundo “prafrentex” que estamos vivendo eu gostaria de pedir de volta o moço do algodão doce buzinando nas portas, as beatas voltando das missas aos domingos, os carrinhos de rolimã que só um garoto tinha mas, que dividia com todos os outros, os almoços de domingo na casa da vó com toda a família falando ao mesmo tempo e as crianças correndo e a venda perto de casa que vendia os melhores doces da região e que a gente pagava uma vez por mês.

 O preconceito e a diversidade sempre existiram, assim como as religiões. Mas, nunca foram tão banalizados como nos dias atuais.

E esse é o mundo que os nossos filhos vêm enquanto crescem.

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