Vivemos dias difíceis.
Dias de solidão por causa de doenças,
sim, as pessoas se afastam quando você mais precisa.
Dias de ausência porque você não tem
condições de estar financeiramente junto com seus “amigos” e pra eles o mais
importante é sair e não estar junto.
Mas vivemos principalmente dias de
intolerância.
Ninguém tolera mais nada e nem
ninguém.
Pessoas maltratam, ferem, espancam
até a morte os animais.
Pais que não suportam os filhos e
cometem os maiores absurdos que eu aqui nem conseguiria citar.
Adolescentes que não toleram a
divergência de ideias e planejam, arquitetam e colocam em prática planos
ardilosos contra a vida dos colegas.
Pessoas que se incomodam com o
comportamento de gente que nem conhecem e ceifam suas vidas como se tivessem o
aval de Deus para fazê-lo.
E agora a mais nova moda em que
líderes religiosos se usam do poder a eles atribuído para dominar a mente (e
por vezes o corpo também) de seus fiéis, prometendo o que nunca poderão
cumprir.
Líderes que não contentes em
administrar “seus rebanhos”, querem administrar também o país, o mundo, a casa
dos outros e não duvido que até o céu.
Os dias são tão difíceis, que as
pessoas precisam se apegar a alguém ou a alguma coisa para darem conta de
continuar com a caminhada e nisso não há realmente nada de errado, porque como
já dizia em algum lugar, o homem é quem estraga as coisas de Deus.
Mas o que mais me preocupa mesmo
nisso tudo não são as religiões, as crenças, a fé. O que me preocupa é a
banalização.
E é com essa intenção que esse texto
foi escrito.
Com a vida corrida e a tecnologia
cada dia mais eficiente e mais acessível, tudo está mais distante: as amizades,
os bilhetinhos, o encontro no supermercado, as conversas depois da aula, os
trabalhos infindáveis na casa dos amigos, os telefonemas no fim do dia só para
saber como estão as coisas.
Nesse mundo “prafrentex” que estamos
vivendo eu gostaria de pedir de volta o moço do algodão doce buzinando nas
portas, as beatas voltando das missas aos domingos, os carrinhos de rolimã que
só um garoto tinha mas, que dividia com todos os outros, os almoços de domingo
na casa da vó com toda a família falando ao mesmo tempo e as crianças correndo
e a venda perto de casa que vendia os melhores doces da região e que a gente
pagava uma vez por mês.
O preconceito e a diversidade sempre existiram,
assim como as religiões. Mas, nunca foram tão banalizados como nos dias atuais.
E esse é o mundo que os nossos filhos
vêm enquanto crescem.
Nenhum comentário:
Postar um comentário