segunda-feira, 29 de abril de 2013

Dieta Pra quê?

Segunda-feira comecei meu regime.

No final de semana fui ao mercado e comprei iogurte desnatado light, barra de cereais light, filé de frango (5 quilos mais ou menos), verdura e legumes dos mais conhecidos até aqueles que eu não fazia ideia se comia com casca ou sem, cru ou cozido.
Acordei disposta, queria inclusive que houvesse uma versão light do meu sabonete.

Coloquei a mesa do café da manhã com uma fatia de pão integral, uma de queijo branco, 3 ou 4 quadradinhos de mamão e café preto com adoçante (argh!).
Antes que eu pudesse dar a primeira mordida, minha campainha tocou. Era minha vizinha com metade do bolo de milho, ainda quente, que havia feito pensando em como ele é um dos meus preferidos.

Emocionalmente abalada fechei a porta e escorreguei para o chão com as lágrimas correndo pelo rosto num misto de dó de mim e dó do bolo, que devorei uns 3 pedaços em segundos.
Fui a pé para o serviço, eu merecia uma punição por ter caído na primeira tentação do primeiro dia.

Comi uma maçã no meio da manhã e as unhas da mão direita até o meio dia.
Levei marmita: frango grelhado e legumes no vapor. É coisa minha ou o vapor tem um gosto diferente quando está no contexto do regime?

No lanche da tarde tomei o iogurte desnatado light (que poderia muito bem saciar a fome, com esse nome todo cheio de pompa) e as unhas da mão esquerda até chegar 18 horas.
Eu precisava voltar para casa e lá eu encontraria com o bolo novamente. Mentalizei que ele já não deveria estar tão saboroso quanto no café da manhã.

Comi mais um filé de frango grelhado e acabei por descobrir porque frango voa.
A vizinha do 6º andar interfonou aflita, ela precisava conversar.

Como eu não tinha mais nada para comer, digo para fazer, achei que pudesse ser uma boa pelo menos as horas passariam mais rápido.

Ela chegou com uma garrafa de vinho e uma cheesecake de amoras inteira.
Recomeço o regime na próxima segunda, assim que eu me mudar pra um lugar onde ninguém me conheça.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

A Panela e o Pavor


A sala de espera geralmente não tem nenhum atrativo, é cinza e gelada.
Em geral, uma televisão, algumas revistas e um silêncio sepulcral interrompido vez ou outra por ruídos que chegam a arrepiar a alma.

Para te deixar ainda mais acuado, a figura amiga da secretária, na maioria das vezes é abolida do local. Ou seja, cada um por si e Deus guardando todos.
Ninguém conversa que é para ficar de ouvido atento ao que acontece com quem está sendo atendido, numa tentativa insana de saber o quão terrível está sendo a passagem dela por aquela cadeira.

Nesse momento você já não sente mais dor, mas o medo te assola e um frio corre pela sua espinha, subindo e descendo na velocidade da luz.
Chega sua hora!

O doutor te cumprimenta e pergunta sobre sua vida – tudo soa sarcástico demais.
Você conta a ele o porque está ali, mostra “a panela” que se mudou para a sua boca  e a partir daí começa seu o inferno na cadeira do dentista.

Na sua cabeça soa um mantra maldizendo a bala, doce, carne ou seja lá o que foi que fez o estrago no seu dente, que nesse momento está fechado com um pedaço de algodão porque o seu dentista estava sem tempo para torturar você na semana passada.
O cara te bota um babador no pescoço e te posiciona de cabeça para baixo na cadeira, para começar o ritual. Se pegar fogo no prédio, você morre queimada, porque até conseguir se levantar dali você já virou cinzas.

Sou a favor da obrigatoriedade daquelas vendas pretas que as madames usam para dormir, para o nosso cérebro não processar o tamanho da agulha da anestesia. E ele diz: - Eu vou colocar Xilocaína, você vai sentir só uma picadinha! Ah tá! A picadinha do “calça curta”, “coisa ruim”, dói muuuuuuuuiiitooooo, não sei se porque nesse momento já estamos sentados no braço da cadeira ou se só porque ele pegou a raiz do dente mesmo. Sua cara adormece, mas seu cérebro e ouvidos não.
Uma de suas mãos terá de ficar ocupada (dormente) com o aspirador e vez ou outra você terá de cuspir na pia (nojenta), se levantando daquela posição ingrata, usando só uma das mãos e voltando com metade da baba na sua boca e metade na pia. Senhoooor!!!

É broca, é motor, é massa, uma verdadeira construção civil dentro de você, com uma ópera no fundo, que provavelmente tá tirando a maior onda da sua cara só que em ritmo diferente do funk.
O serviço acaba, ele, o dentista, todo orgulhoso do serviço quer te mostrar como ficou tudo e você só quer sumir dali e parar de morder sua língua.

Mulher Perfeita


A mulher perfeita na visão de um homem.
Estamos já no século vinte e um e não há terninho ou belas pernas torneadas cruzando no inicio de uma reunião de negócios, que faça o homem gostar mais da mulher fora do que dentro de casa.

Obviamente eles não dizem isso.

Suas frases clichês são: - Estou torcendo pelo seu sucesso! – Sim, acho que você deve voltar a estudar! – Claro querida, eu sei que o evento é só para funcionários!
Tudo isso em frases fechadas, sem desenvolver o assunto.

Tenho a impressão de que eles vivem esperando o dia em que, de dentro de cada uma de nós, sairá uma daquelas moças que passavam as tardes ao lado de sua mãe aprendendo receitas das mais variadas guloseimas e costurando a barra das calças.
Um mundo perfeito em que o final do dia seria: abrir a porta de casa, encontrar o tapetinho que diz: Seja Bem-Vindo e, pendurada na porta a frase: Lar Doce Lar.

 O cheiro da casa seria de bolo no forno.
As crianças já tomadas banho, com o dever de casa feito e com apenas um brinquedo nas mãos.

A esposa cheirosa, com o refogado de carne pronto para ser servido e, claro, uma bebida preparada para recebê-lo.
Na mesa da sala de jantar um caminho de crochê, feito por sua esposa, daria a ele a sensação de que a casa havia sido limpa como que num passe de mágica.

Na cozinha, capas por todos os lados: botijão de gás, liquidificador e batedeira.
Antes do jantar, ele tomaria seu precioso banho e se enxugaria com a toalha que tem seu nome bordado em ponto cruz.

Seu pijama dobrado em cima da cama e a roupa do dia seguinte separada fechariam o dia perfeito.

 
Para eles, né?

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Ser Pequeno


Gente pequena – o mundo não fora feito para nós - os saltos sim.
Uma pessoa pequena nunca está à vontade.

Se eu fosse arquiteta planejaria interiores de casas com aquelas escadas de farmácia percorrendo em trilho todos os cômodos.
O olho mágico da porta da casa de quem é pequeno mostra da cintura para baixo da sua visita, ou seja, se quiser segurança, precisa perguntar para o convidado com que roupa ele pretende vir te visitar – um vexame.

Para otimizar os espaços na sua casa, o marceneiro começa os móveis grudados no teto e, de acordo com o espaço que se tem, ainda o fazem profundo, que é para você ter fratura nos ossos do peito sempre que chegar o inverno e você precisar das suas malhas.
Os móveis da cozinha são os piores da casa. Tudo o que você tem na cozinha geralmente você usa, não demora um ano para precisar, nesse cômodo a escada de farmácia faria a total diferença no dia a dia.

Quem é pequeno precisa de espelhos compridos – colocados no chão.
O chuveiro na casa de pessoas desprovidas de altura, queimam, quebram ou caem da parede pelo menos três vezes ao ano. Como é que se muda a temperatura, já estando pelado e já tendo feito xixi no ralo para economizar a água do planeta? Só usando o cabo do rodo mesmo.

Duvido que entre os pequenos (refiro-me a pessoas já na fase adulta), exista uma ou duas pessoas que consigam sentar-se apoiando as costas na cadeira e os pés no chão – ao mesmo tempo.
Para se comprar roupas é preciso consultoria do Esquadrão da Moda, para que eles te ensinem quais modelos ficarão menos estranhos quando forem cortados os trinta centímetros excedentes.

Os vexames são constantes, mas ainda não consegui descobri nada pior do que esperar alguém passar pelo corredor do supermercado onde está o produto que você realmente precisa levar, para pedir que ele faça a gentileza de alcançá-lo para você. Pior ainda, você tem que guardar a fisionomia dessa pessoa, para você não abordá-la novamente, pelo mesmo problema, no corredor de trás.
O transporte público é um desafio diário, mas também uma espécie de teste de simpatia da pessoa pequena. Só ela sendo muito simpática sairá sem levar uns safanões quando invariavelmente segurar na cintura dos outros para não cair.

No mundo atual, não adianta mais ser adulto, se você não tiver uma quantidade x de centímetros, não pode nem se divertir nos parques. Isso sim é preconceito.
Ao que parece, as pessoas normais querem eliminar os menores da face da Terra. Para isso, inventam carrinhos para tudo. Já experimentou refogar uma carne em um fogão com aquele suporte de rodinha embaixo? No mínimo você queima a ponta do nariz na beirada da panela para enxergar o que está fazendo.

 Acabei de lembrar de algo pior do que o supermercado: você fazer cadastro para entrar em um prédio comercial e o recepcionista ter que tirar a câmera do lugar e colocar para baixo do móvel, para captar sua imagem.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Zoológico


Existe passeio mais irritante do que ir ao Zoológico?
Tenho certeza de que você não conseguiu pensar em nada pior.

Preparo-me meses para o fatídico dia e quando ele chega, eu preferia ter sofrido um infarto fulminante na noite anterior.

As crianças querem levar lanches, sucos, amendoins e eu quero morrer.
Quando é chegado o dia, as duas únicas certezas que você pode ter são: ou vai garoar o dia todo ou vai fazer um sol escaldante, que é para ver se o seu olfato realmente funciona, naquele lugar.

Talvez você saia de casa com a ilusão de que só os seus filhos conseguem convencer os pais de fazer um programa desses. Até que você chega na rua do Zoológico e percebe que criança tem um poder de convencimento ímpar. Tem fila para estacionar os carros e muitas vezes faltam vagas. E pra que? Eu te pergunto.
Enfim, você consegue estacionar, comprar seu ingresso, tirar foto na parede desenhada de bichos, postar no facebook e entrar. Você já combina com a família que qualquer coisa que aconteça, vocês se encontram perto dos macacos. Já perceberam que os macacos, patos e afins ficam em uma área centralizada e de destaque? Sim, porque eles são, provavelmente, os únicos bichos que você realmente verá. Então, você vai até o leão, a girafa, o elefante, não viu, volta para os macacos.

O mapa para se encontrar os animais deixaria furioso até Indiana Jones.
Das duzentas e dezenove vezes que fui até lá, vi o leão e o tigre umas três ou quatro vezes. Mas como estava garoando ou muito sol, eles sempre estavam dentro da caverna, só com a cabeça de fora.

Estava me segurando para dizer isso, mas quem é pequeno também não consegue ver esses bichos não. E não, não estou falando das crianças.
E o leão marinho? Quem já viu? Acho que vi uma vez só, será que entrou em extinção?

Depois de tentar ver a girafa, tentar o elefante, tentar o hipopótamo, tentar, tentar, tentar, as pessoas cansam e tentam comprar alguma coisa para comer, tentando encontrar um lugar sem cheiro, limpo e sem moscas ou abelhas.....continuam tentando......e tentando.
A família faz uma cabana humana em volta das crianças que conseguem comer, beber e voltar para o posto, para tentar ver o leão, que a essa altura já tomou o Rivotril do dia e dormirá até a hora do jantar.

A segunda parte do passeio é do lado esquerdo do zoo, zzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Comer em Paz


Antes de começar a ler esse texto, responda:

- Para você, a hora da refeição é um momento de prazer e de tranquilidade?

 

Se você respondeu que sim, duvido que vá a alguma churrascaria.
A churrascaria é um campo de guerra.

Quando você entra em uma, sua luta é sair vivo, conseguindo andar e principalmente não agredir ninguém. Ou seja, impossível.

Você chega no lugar e já enfrenta fila para conseguir uma mesa decente, que fique posicionada estrategicamente para que sua roupa não saia com pingos de gordura, dos dois lados, e para que você não tome um banho de chopp quando for levar o copo à boca e o garçom esbarrar no seu braço.
Qualquer dia vai acontecer como nas praças de alimentação dos shoppings, as pessoas chegam, escolhem a mesa que querem sentar e permanecem em pé ao seu lado até que você termine.

Não existe lei em uma churrascaria, então, você pensa em um programa família, pega seus filhos às onze e meia da manhã (que é para garantir que até a uma da tarde eles já tenham almoçado), se dirige até lá, consegue não atropelar o manobrista que coloca o prisma no seu carro sem nem saber se é no estabelecimento dele que você vai, consegue a mesa decente e qual é a primeira coisa que passa pelo salão e estaciona ao lado da sua mesa? O carrinho de doces. Por que diabos essa porcaria tem rodas?

Você então se esforça em fazer seu filho esquecer aquela visão escandalosa que ele teve e quando se volta para o seu prato tem lá dois gomos de lingüiça, cinco corações e uma asa, mas, as bebidas que você realmente pediu.......
Em dado momento os garçons começam a circular em ritmo frenético, que é para te deixar nervoso e você dar lugar ao próximo da imensa fila de espera. É maminha, é costela, é cupim, é picanha e vai você falar “pro cabra” que não quer, ele sai batendo o pé. Isso quando ele espera você dizer alguma coisa, porque geralmente ele já pressupõe que se você está ali é para encher o bucho mesmo.

O rodízio corre solto pelo salão, você ainda está mastigando o último pedaço da última rodada que o último garçom despejou no seu prato, que agora está virado de boca para baixo na mesa porque o garçom é daltônico e não diferencia o verde do vermelho, quando vem um outro comparsa daquele da carne com o licor. Licor = despedida, fim de festa, bye bye, see you, well well.
Agora sim é o momento para aquele carrinho de doces.....

...mas, a leva toda de pessoas que entrou com você e que tem que sair com você, também quer.

Fim