terça-feira, 27 de novembro de 2012

P,M,G e GG


P,M,G e GG

Eu tenho a impressão de que essas letras são códigos Morse de comunicação entre os fabricantes de roupas. Sim, porque elas podem representar inúmeras coisas, menos o tamanho da roupa que passa da sua bunda e fecha nos seus peitos.

A moça da loja querendo ser gentil vem do seu lado e fala: “- Posso ajudar? Qual cor a senhora prefere?”. Quando a fulana quer saber seu número ela fala de lá do balcão: “- O TAMANHO É G, NÉ?” Eu me faço de louca e finjo que nunca a vi mais mal acabada.

Pela experiência que você tem com seu corpo e com o estilo de roupa que está comprando, você pega todas as peças G e pensa: “- Qualquer coisa faço uma pense, uso um cinto, etc”. Entra no provador, tira toda a roupa e começa a experimentar as futuras aquisições.

A calça passa com dificuldade pela sua bunda e você consegue a muito custo fechar o zíper, também, com essas porcarias de zíperes que temos hoje em dia, fica muito complicado. A blusa passa pela cabeça (porque o decote é em V) mas não passa dos peitos e você fica entalada.

Devagar, sem entrar em pânico, você começa a se abaixar para sentar no banquinho e essa ação vem acompanhada de uns Tec, tec, tectectec, tec, tectectec – sim, é a costura da calça. Não dá para tirá-la antes de tirar a blusa que está mantendo seus braços erguidos. A solução então está em tirar a blusa e depois a calça, se esta ainda estiver inteira no seu corpo.

Pedir ajuda nessas horas a gente não pede nem pra mãe, quem dirá pra uma estranha vendedora que está atendendo mais três mulheres ao mesmo tempo – NUNCA.

Então o jeito é apoiar os braços contra a parede e em movimentos leves puxar um lado, depois o outro, um lado depois o outro da maldita blusa, que agora está parada embaixo do bojo do sutiã que foi colocado ali exatamente para dar um caimento melhor à peça e não para enguiçá-la em você.

No carpete do provador pinga o seu suor junto, agora, com lágrimas de desespero.

Pronto, a blusa já foi e dando pulinhos leves mas não menos nervosos você começa a tentar tirar a calça. De pulinho em pulinho ela vai descendo e você se livrando da peça.

Exausta, suada, descabelada e emputecida você sai daquela e entra na primeira loja e compra uma bela fuso e um camisão, sem ter que experimentar, porque eles caberiam até num Rei Momo e só então você sai vitoriosa do shopping direto para o primeiro fast food que encontra pelo caminho.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Uniforme Já!


Sou a favor dos uniformes.

Tenho uma teoria que todo funcionário deveria vir de casa apenas tomado banho, com jeans e camiseta e ao chegar na empresa, um departamento se encarregaria de vesti-lo adequadamente para exercer suas funções.

Eu tenho horror em ver o sutiã preto da atendente por baixo da blusa branca ou sua calcinha vermelha escapando pelo cós da calça.

Gente que acredita que roupa íntima tem que ter motivos: juninos, natalinos, aniversário de São Paulo, meninas super poderosas, etc.

Funcionário que usa colônia fragrância CK Be, adquirida na feirinha de artesanato da Praia Grande.

A mistura das estampas listrada com oncinha, que deixam os clientes sem saber o motivo que os levou a estar ali, naquele dia, naquela hora.

As meias de nylon marrom com sapatos pretos que os rapazes insistem em fazer combinar – não vai dar certo nunca, confiem.

As meias arrastão em pleno horário comercial. Se você veio direto, guarde pra você essa informação.

As gravatas com desenhos animados que sempre tem um lugar ou outro que ainda se pode encontrar para comprar.

E digo mais: eu não liberaria o tal Casual Day.

É nesse dia que os demônios saem de suas covas e adentram ao escritório nas mais diversas formas, como:

·         Camisetas com um coqueiro desenhado dizendo: Estive em Porto Seguro

·         Crocs: o que são esses calçados? Em que categoria se enquadram?

·         Cabelos cheios de gel e para cima, “tipo gatinho”

·         Unhas cheias de adesivos e penduricalhos para a balada de logo mais

·         Maquiagem de glitter

·         Tênis com meias pretas

 

É bem verdade que algumas vezes colocamos a cabeça, no escuro, dentro do armário e o que enganchar é o que vai pra rua, mas não façamos disso um hábito.

Lutemos para o uniforme virar lei.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

A idade


Há tempos venho me sentindo estranho...

...já havia percebido que algumas pessoas começaram a se afastar, outras a me criticar com maior frequência e outras tantas a me ignorar.

Ao acordar todas as manhãs eu já não tenho mais aquela disposição, meus dias não são mais tão cheios de compromissos como antes.

No café da manhã tenho preferido o pão de forma ao francês pelo simples fato de estar cansado daquela conversinha fiada do pessoal da padaria e do papo cheio de euforia do Ernesto, meu vizinho.

As festas de aniversário, que tem ficado cada ano menos frequentes, me animam pouco. Os temas das conversas pouco me interessam e os temas por mim propostos pouco interessam aos demais, além disso, não tenho mais criatividade suficiente para escolher um presente adequado para as idades que variam de 1 a 99. Então, por vezes, prefiro ficar em casa mesmo.

Outro dia resolvi ouvir, sem retrucar, o meu filho que decidiu me dar conselhos (veja a que ponto chega essa tal modernidade). Ouvi até o fim, confesso que dei umas cochiladas no meio do sermão, mas tudo aquilo que ele falou, além de não ser novidade para mim, não me afetou. Eu o incomodo, mas isso não me incomoda nem um pouco.

Apesar de poder fazer diferente, ainda vou ao banco pagar minhas contas, ando de ônibus e metrô nos horários de pico e testo todos os dias a educação e o respeito das pessoas por mim.

Dizer que não tenho mais vontade de nada seria muito radical.

Tenho vontade sim, uma vontade imensa de mandar todo mundo a merda. Acabar com aqueles intermináveis almoços de domingo que acabam com a cerveja da minha geladeira e me deixam com a obrigação de comer os restos a semana inteira.

Acabar com a graça de quem dorme no meu sofá, de quem coloca o pé na minha mesinha de centro pra assistir o jogo e da Ofélia, mulher do Ernesto, que insiste em levar copos descartáveis pro almoço, que é pra não ter que lavar depois.
Por fim, descobri um lugar onde gosto de ir...

... à farmácia. Tenho comprado um remédio por vez e ainda dou uma passada por lá sempre que preciso de um sabonete, adoçante ou pastilhas para amenizar o mau hálito.

Não, não estou depressivo, nem de mau-humor, nem puto...

 ...estou na terceira idade.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Dane-se


Você não sabe ao certo o que aconteceu...

A única coisa que sabe é que aquela pessoa que até ontem ria horrores com você, ia na sua casa e achava sua família linda (como se fosse a dela), hoje não quer nem olhar na sua cara.

Você já perguntou o que houve e já se propôs a pedir desculpas, mas ela como que uma parede branca, nem se deu ao trabalho de te ouvir.

E então você pensa, repensa, medita, procura o erro, quando na verdade tudo o que deveria dizer é: DANE-SE.

A pessoa em questão faz falta significativa na sua vida?

Seus olhos secariam caso ela nunca mais passasse na sua frente?

Um ombro seu apodreceria caso ela nunca mais derramasse uma lágrima sobre ele?

A falta do mau humor dela com suas piadas vai te levar à falência múltipla de órgãos?

Seu braço cairia caso ela nunca mais te abrace?

Existem preocupações que são desnecessárias.

A pessoa não quer falar com você, chame o próximo ou ligue para a CVV.

Ninguém é insubstituível, nem ela e nem você.

A vida seria muito mais legal se vivêssemos como um videogame: jogando a fase atual, sem pensar naquela que passou.

Agora se você respondeu sim a todas as perguntas acima, corra, peça perdão, humilhe-se e comece uma terapia URGENTE.

O DANE-SE é libertador, ele te dá autonomia sobre sua vida e tira da sua mente pensamentos de culpa.

Exercite-o.