Quem foi que teve essa ideia?
Quem foi que inventou o amigo secreto
na empresa?
Alguém aqui tem amigo na empresa?
Um lugar onde todos estão mais do que
atentos ao primeiro escorregão do cara ao lado para se dar bem com o chefe.
Como alguém pode querer receber um
presente justo, dentro do limite estabelecido, de alguém que deseja dia e noite
que você erre mais amanhã do que errou hoje?
Como podemos nos sujeitar a
participar de um sorteio, com chances reais de ter que comprar um presente para
o seu maior desafeto ou para aquela loira estonteante por quem todos os homens
da empresa têm uma queda?
E digo mais: porque cargas d’ água
nos sujeitamos àquelas definições monstruosas que as pessoas fazem sobre nós
para que os demais tentem adivinhar o sortudo do amigo oculto.
O amigo oculto, como o próprio nome
já diz, deveria ficar oculto pela eternidade, quem foi que teve a ideia de
desvendá-lo?
Não se pode levar a sério uma
brincadeira dessas, isso é um teste do seu chefe para saber quem ele promove:
para um cargo melhor ou para a rua.
A secretária do seu chefe, que tem um
acordo macabro com ele, elabora aquela lista com as três preferências de
presentes dos participantes e, em seguida, embaralha tudo e diz que pelas
normas da empresa nem ela, nem o chefe podem participar e assim garantem suas
cadeiras no camarote da desgraça.
Os presentes que as pessoas gostariam
de comprar na verdade não passam de: pesos de porta em formato de galinha,
pentes de plástico que encaixam nas mãos, saboneteiras, saleiros, guardanapos
de pano pintados à mão por uma pessoa cega e por aí vai.
Todo ano é a mesma coisa e eu ainda
acho a pessoa que faz os papéis do sorteio tem alguma tática que faz o jogo
ficar ainda mais tenso.
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