quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Amigo Oculto


Quem foi que teve essa ideia?

Quem foi que inventou o amigo secreto na empresa?

Alguém aqui tem amigo na empresa?

Um lugar onde todos estão mais do que atentos ao primeiro escorregão do cara ao lado para se dar bem com o chefe.

Como alguém pode querer receber um presente justo, dentro do limite estabelecido, de alguém que deseja dia e noite que você erre mais amanhã do que errou hoje?

Como podemos nos sujeitar a participar de um sorteio, com chances reais de ter que comprar um presente para o seu maior desafeto ou para aquela loira estonteante por quem todos os homens da empresa têm uma queda?

E digo mais: porque cargas d’ água nos sujeitamos àquelas definições monstruosas que as pessoas fazem sobre nós para que os demais tentem adivinhar o sortudo do amigo oculto.

O amigo oculto, como o próprio nome já diz, deveria ficar oculto pela eternidade, quem foi que teve a ideia de desvendá-lo?

Não se pode levar a sério uma brincadeira dessas, isso é um teste do seu chefe para saber quem ele promove: para um cargo melhor ou para a rua.

A secretária do seu chefe, que tem um acordo macabro com ele, elabora aquela lista com as três preferências de presentes dos participantes e, em seguida, embaralha tudo e diz que pelas normas da empresa nem ela, nem o chefe podem participar e assim garantem suas cadeiras no camarote da desgraça.

Os presentes que as pessoas gostariam de comprar na verdade não passam de: pesos de porta em formato de galinha, pentes de plástico que encaixam nas mãos, saboneteiras, saleiros, guardanapos de pano pintados à mão por uma pessoa cega e por aí vai.

Todo ano é a mesma coisa e eu ainda acho a pessoa que faz os papéis do sorteio tem alguma tática que faz o jogo ficar ainda mais tenso.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Ser Pobre


Ser pobre é um estilo de vida.

Não há como esconder de alguém que se é pobre.

O pobre no sacolão pesa para saber se pode levar ou não as frutas. Quando você vir um pacotinho de manga com preço deixado na banca da banana, pode crer que foi um pobre que pesou, se conscientizou e foi à feira.

No mercado, o pobre leva umas três ou quatro coisinhas a mais ao caixa para ver qual dos supérfulos poderão entrar na compra do mês. E a operadora do caixa não faz nem questão de disfarçar: - Vai levar ou não, senhora?

O pobre entra na loja de roupas que não pode comprar. Ele sabe que não pode e a vendedora também sabe. Mesmo assim, ele entra, experimenta e sai falando mal da confecção.

A economia melhorou muito e deu direitos quase iguais a todos. As operadoras dos cartões de crédito acreditaram no pobre e liberaram R$ 300,00 por mês de limite.

E foi aí então, que todos puderam ter acesso às máquinas digitais e viagens de avião.

E foi aí também que acabou o sossego.

O pobre com uma máquina digital nas mãos ele quer mostrar que tem e não contente em tirar as fotos ele quer publicá-las. A partir daí fomos inundados com: Eu e minha Best, tomando uma geladinha / Meu amor e eu curtindo um churrasquinho (foto tirada da laje com vista para todo o bairro) / Meu filho tomando banho (pelado e remelento).

Mesmo que o pobre faça compras on line, é possível saber que quem está comprando é pobre, porque em todos os produtos que interessam ele faz o orçamento do frete no CEP dele, da mãe e da sogra. Quando fecha a compra, paga no boleto e assim que tem o comprovante em mãos manda um e-mail pro SAC dizendo que ainda não recebeu a mercadoria e vai acionar o PROCON.

O pobre agora é marginalizado coletivamente: pelo Peixe Urbano e Groupon. Ele chega ao restaurante com o ticket da compra e implora aos pés do ouvido do garçom que nada, absolutamente nada lhe seja servido que já não tenha sido pago por aquele cupom.

O meio de transporte do pobre é que não melhorou muito, mas agora pelo menos, ele acessa na hora, dentro do trem, qual o melhor itinerário Carapicuiba – Centro, no horário de pico.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Atrações


Atrações são incontroláveis...
Uma grande parte das coisas, pessoas, relações, sentimentos nós conseguimos controlar, mas, algumas coisas fogem totalmente do nosso alcance, do limite das nossas mãos e até do nosso entendimento.

Um olhar, ainda que de longe, já basta para você saber o que vai acontecer nos minutos seguintes.
Por vezes, não é necessário ver, só o fato de saber que ele (a) está lá, a poucos metros de distância já te causa certo arrepio.

Você sabe que não deveria, sua cabeça te lembra de como foram todas as outras vezes em que estiveram juntos, mas, é mais forte e nada do que aconteceu no passado parece ter importância nesse momento.
Com atração não existem conselhos que podem te parar, te fazer voltar atrás ou ao menos desviar seu pensamento até que se veja livre do que te atrai.

Nessa relação as traições são quase que inevitáveis, pode ser com você que ele (a) está mais acostumado (a) ou pode ser com qualquer outro (a) que cruzar o seu caminho.
Mas você, por sua vez, também não será fiel e o (a) deixará chegar perto ainda que ele tenha acabado de fazer a mesma coisa com a pessoa ao seu lado.

Ele se mantém sempre quente, porque acha que esse é o caminho mais fácil pra chegar até você e você, como um bebê que ainda nada conhece da vida, se deixa levar novamente pela mesma sedução.

Ainda que você não perceba, seu poder de sedução é tão grande quanto o dele. Mesmo que você permaneça mais discreta ou dê menos a impressão de não ver a hora que aquele encontro aconteça, ele sabe, ele percebe que vocês estão na mesma sintonia.

Inevitavelmente o encontro acontece e com ele a tensão para que dessa vez tudo seja diferente, que dure mais e seja menos sofrido.

E mais uma vez você se entrega, com os olhos tapados, sem pensar em mais nada, sem lembrar do passado e então...

 ....percebe que vai ser sempre assim o encontro do molho de tomate com a sua camisa branca.