segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Um dia estranho...


Não, não era sábado...
...mas o relógio já marcava 8 da manhã sem antes ter se dado ao trabalho de marcar 6h.

Em milésimos de segundos consegui reviver todos os dias da semana e chegar à conclusão que sim, ainda era sexta-feira e sim eu estava irremediavelmente atrasada.


Caí da cama como uma jaca da árvore, já pensando em todas as desculpas que eu precisaria dar no decorrer do dia.
No banho revi mentalmente o meu guarda-roupas em busca de um conjunto que me possibilitasse vestí-lo sem ter que deitar na cama e que me liberasse da meia fina. Um banho rápido, muito rápido só para cumprir o protocolo e quando acabo descubro que a toalha ainda está no varal depois do banho da noite anterior. Dou uma olhada firme para a toalha de rosto e quase que cometendo um estupro com a pobrezinha me enxugo na velocidade 10.5 que qualquer dançarina de funk jamais conhecera. Visto a roupa mentalizada, ela demora a se ajeitar no corpo ainda úmido e coloco o único sapato que combina e que por sinal eu esqueci de levar ao sapateiro quando perdi o saltinho na semana passada. Jogo na bolsa tudo o que vou precisar para chegar a minha primeira reunião com um cliente que demorei anos para conseguir, em passos de ponto e vírgula, ainda por causa do saltinho, pego na geladeira um iogurte, corto a tampinha com a unha e com ele pendurado na boca marcho para o carro.

Não sei porque ainda não inventaram carros que suas portas sejam largas o suficiente pra gente entrar de frente com tudo o que precisa carregar. Jogo tudo no banco do passageiro e finalmente saio de casa. No primeiro farol penso em começar a maquiagem, então, por osmose e no tato descubro a sombra na nécessaire e quando me olho no espelho descubro que ainda estou com a touca de banho e eu achando que estava especialmente linda naquele dia, por isso as buzinas, os sorrisos maliciosos.

Consigo uma boa desculpa pelo atraso para a reunião, eu sei falar sobre o assunto, mas percebo que alguma coisa está errada, o foco do cliente está no meu casaco que por sua vez está babado com o maldito iogurte. Nessa hora eu habitualmente lamberia o local e depois com mais um tantinho de cuspe resolveria o problema, mas ali não, então, peço licença para ir ao toilete e quando me levanto sinto enganchar no carpete da sala (quem ainda usa carpetes atualmente?) o salto banguela do meu sapato. Sim, eu cai e não, nada poderia ser pior do que isso.
O carro estava há alguns metros de mim e tudo ficaria bem assim que eu entrasse nele, depois é claro de eu enganchar o outro salto no ralo do estacionamento e abraçar o manobrista que vinha em minha direção, evitando assim mais uma queda.

Decidi voltar pra casa, ainda que estivesse no começo da tarde. Comecei a revirar tudo o que tinha colocado no banco do passageiro numa tentativa insana de me organizar ainda que só um pouco pra acabar o dia, quando meu celular apita e eu descubro que visitei o cliente errado.

Um comentário:

  1. Definitivamente este dia era melhor ter ficado em casa mesmo rsrsrs Eu ri muito. Parabéns amiga. Bjos

    ResponderExcluir