Matriculei-me na academia...
...de ginástica, não a Brasileira de
Letras.
Depois de toda a orgia gastronômica
das festas de fim de ano, aquela voz que até então falava baixinho no meu
subconsciente, agora berra: - Vai malhar sua gorda, vai malhar!
E eu fui.
Precisei adquirir umas roupas
específicas, não queria dar a impressão de ser novata – impossível.
Eu não sei vocês, mas eu quando vou
comprar uma roupa estico a peça na largura dos braços e já consigo ter ideia se
vai me servir ou não.
Com as roupas de ginástica isso não
funciona: todas são em formato de funil e de um tecido parente do papel contact
ou das meias Kendall.
As academias certamente possuem
contrato com os fabricantes dessas roupas que é pra você ver, na loja mesmo, o
seu grau de dificuldade para entrar nelas e se convencer de vez que está realmente
acima do peso.
O vestiário da academia é o
aquecimento das aulas, a pessoa já sai de lá precisando hidratar.
Modelos perfeitas são contratadas para ficarem de frente ao espelho levantando um pesinho ou
outro e matando a gente de inveja ou raiva ou ódio.
Nada na academia é normal.
A música não é normal, as coxas não
são normais, os músculos do personal (Ahhhh o personal), nem a recepcionista é
normal.
Tudo ali foi planejado pra você se
sentir mal com o seu corpo.
Os espelhos são daqueles que dobram
sua largura, os assentos dos equipamentos são um verdadeiro atentado a pessoas
mais avantajadas e o que dizer então, dos jumps,
tenho medo de pular em cima de um daqueles, imagina se ele estoura?
Acho que vou acabar caminhando no
parque de moletom mesmo.